sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sociedade e Meio Ambiente

A imagem da Terra, vista pelo cosmonauta Yuri Gagarin, em 1950, se tornou um duro golpe na visão antropocêntrica. Nós, que nos considerávamos senhores do mundo, nos víamos passageiros de um pequeno planeta – a nave Terra.O ser humano é uma espécie entre milhares que depende do todo para sua sobrevivência neste planeta. É a única que tem essa consciência e o poder de intervir benéfica ou maleficamente no ambiente, portanto sua responsabilidade é inigualável.O surgimento de problemas socioambientais como ameaçadores à sobrevivência da vida na Terra é um fenômeno relativamente novo para a humanidade. À medida que o ser humano se distanciou da natureza, passou a encará-la, não mais como um todo em equilíbrio, mas como uma gama de recursos disponíveis, capazes de serem transformados em bens consumíveis.Estamos diante de um tempo abstrato imposto concretamente, o do relógio movido pelo time is money do capital, em busca do aumento de produtividade, com seu tempo de concorrência comandando as relações com a natureza e os diferentes povos, culturas e regiões.A voracidade predatória do sistema econômico vigente faz enxergar a natureza tão somente como fonte de matérias-primas para a produção de mercadorias. Com isso a natureza torna-se ela própria uma mercadoria, rompendo perigosamente o equilíbrio de auto-sustentabilidade entre a natureza e o homem. Este é um dos problemas éticos mais radicais da nossa geração, pois ameaça a sobrevivência futura do planeta e da humanidade. Para se falar em dignidade da vida é preciso, antes, que haja vida. A moral dominante desse sistema econômico separa a natureza da cultura, e com isso desumaniza a natureza e desnaturaliza o homem. Preservar e cuidar da natureza, é preservar e cuidar da humanidade, das gerações atuais e futuras. Preservar e cuidar do meio ambiente é uma responsabilidade ética diante da natureza humana. Com a questão ambiental estamos diante de questões de claro sentido ético, filosófico e político. Que destinos dar à nossa natureza, à nossa própria natureza de seres humanos? Qual é o sentido da vida? Quais os limites da relação da humanidade com o planeta? O que fazer com o nosso antropocentrismo quando olhamos do espaço nosso planeta e vemos como ele é pequeno e quando entendemos que somos apenas uma dentre tantas espécies vivas de que nossas vidas dependem?Eis o caminho, mais difícil sem dúvida, que haveremos de percorrer se quisermos sair das armadilhas de noções fáceis que nos são oferecidas pelos meios de comunicação, como “qualidade de vida” e “desenvolvimento sustentável”, que, pela sua superficialidade, preparam hoje, com toda certeza, a frustração de amanhã. A gravidade dos riscos que o planeta enfrenta contrasta com as tímidas proposta de gênero “plante uma árvore”, ou “promova a coleta seletiva do lixo”.A educação ambiental surge como uma nova forma de encarar o papel do ser humano no mundo. Na busca de soluções que alteram ou subvertem a ordem vigente, propõe novos modelos de relacionamentos mais harmônicos com a natureza, novos paradigmas e novos valores éticos. Com uma visão holística e sistêmica, adota posturas de integração e participação, onde cada indivíduo é estimulado a exercitar plenamente sua cidadania. A educação ambiental aparece como um despertar de uma nova consciência solidária a um todo maior. É com a visão do global e com o desejo de colaborar para um mundo melhor, que se pode propor um agir local. Daí a importância de integrar conhecimentos, valores e capacidades que podem levar a um comportamento condizente com este novo pensar.

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