As chuvas intensas têm sido a principal característica do início do mês de Janeiro dos últimos anos. Infelizmente este ano não foi diferente, em várias regiões do Brasil a chuva intensa tem castigado muitas cidades, e em Bragança Paulista isso não tem sido diferente.
Ruas, casas e comércios invadidos pela água da chuva, somada a água dos ribeirões e do Rio Jaguary. Na semana passada estive ajudando amigos residentes na Av. José Gomes da Rocha Leal a contabilizar as perdas e fazer a limpeza dos espaços que foram invadidos pelo ribeirão Lavapés.
Os por quês dos problemas relacionados às enchentes não podem ser vistos de maneira simplistas, considerando um ou outro motivo, trata-se de uma conjunção de fatores.
Em primeiro lugar está o grande volume de chuvas que tem caído em nossa região, esse é um dos principais fatores, mas não está sozinho. O uso e ocupação do solo de forma irregular é um fator de interferência direta que acompanha uma boa dose de história, uma história que se repete na grande maioria das cidades brasileiras: a falta de planejamento e de visão do todo. Impermeabilização de áreas, desmatamento, lixo, assoreamentos são exemplos da falta de entendimento do todo quando deve-se consider causas e consequências.
As cheias do Rio Jaguary também devem ter nossa atenção. Sabemos de todos os impactos históricos da construção da barragem da Sabesp, que faz parte do Sistema Cantareira, como a diminuição da vazão e consequentemente as mudanças na estrutura física das margens, assim como impactos sócio-econômicos. A abertura das comportas tem um impacto bastante significativo, e ao analisarmos os números conseguimos ter a proporção dos impactos: a vazão normal do Rio Jaguary na saída da barragem seguia uma média de 2,5 m3 /s; na semana passada estava em 40 m3 /s, hoje está em 80 m3 /s. A título de informação, 1 m3 equivale a 1000 litros.
Uma das chaves disso tudo isso está numa expectativa de “estabilidade”, que nós seres humanos temos, é uma falsa ideia de constância pois em um planeta tão dinâmico como a Terra, temos que estar preparados para o desconhecido, ou simplesmente, para o esquecido.
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